Trezena de Santo Antônio

Santo Antônio de Pádua, de Lisboa

Historicamente, poucos santos permanecem com tanto fervor na devoção popular como Santo Antônio. O santo, cujo nome de batismo é Fernando, nasce em Lisboa no ano de 1195 e é educado nos ensinamentos cristãos e logo cedo ingressa no seminário e inicia sua vida religiosa na Ordem dos Agostinianos. No entanto, alguns anos mais tarde, vê os restos mortais de cinco frades franciscanos, mártires no Marrocos, após a sua intenção de converter os “infiéis”, e, tocado pelo Espírito Santo, toma uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Decide entrar na Ordem dos Frades Menores fundada por São Francisco.

Santo Antônio, exímio pregador, foi autorizado pelo próprio Francisco a ensinar os seus frades a Sagrada Teologia, contanto que não perdessem o espírito de oração e devoção. Sua fé foi tamanha e seu amor por Cristo de igual forma, que Nossa Senhora lhe concedeu ter nos braços o Menino Jesus.

“Santo Antônio é o mais popular entre os assim chamados ‘Santos milagreiros’. Tanto em vida, como após a morte, realizou tantos prodígios em favor dos sofredores que ficou até difícil separar a história da lenda.

Lisboa e Pádua foram os grandes cenários de seu poder intercessor e de sua bondade que, na idade moderna, se estendeu por todo mundo ocidental e, de modo especial, entre os pobres da América. Em todo o mundo continua sendo o santo mais popular e o intercessor mais invocado.” (Sto. Antônio na Glória – Filipo Parodi)

Nesta Trezena de Santo Antônio, você é nosso convidado para conhecer um pouco mais a vida deste santo e rezar conosco pedindo a intercessão do “Doutor Evangélico”.

Paz e bem!

1° Dia

Nascem Portugal e Fernando

No ano de 1143, o rei Afonso VII da Espanha, com a intermediação do Cardeal Guido, representante do papa Inocêncio II, reconhece a independência portuguesa e o título de rei para Afonso Henriques. A capital fica em Coimbra. Lisboa pertence aos árabes desde o longínquo ano de 716. Afonso Henriques consegue reunir um exército de cruzados para uma guerra santa e reconquista Lisboa para Portugal e para o cristianismo em 1147. O pequeno reino, porém, não tem condições de garantir a posse da cidade, pois o outro lado do rio Tejo continua nas mãos dos mouros, assim chamados os seguidores de Maomé. O novo rei, Sancho I, reúne outro exército de cruzados em 1189: sodados alemães, italianos, ingleses, portugueses, espanhóis conquistam o Algarve, garantindo os limites de Portugal.

[…]

No dia 15 de agosto de 1195, festa da Assunção de Maria ao céu, nasce Fernando de Bulhões y Taveiro de Azevedo, filho de Martinho de Bulhões e de Maria Teresa de Taveiro. Eram jovens membros da nobreza que tinha participado das lutas pela independência portuguesa.

Moravam perto da catedral. Subindo a colina chegavam ao castelo de São Jorge, de onde podiam avistar todo o bairro mouro, cujas construções e ruas lembravam as cidades árabes. Fernando aprende português e árabe, as duas línguas de Lisboa.

Martinho e Maria Teresa encaminham o menino para a Escola dos Cônegos da catedral. Além de boa formação humana, queriam dar a Fernando, educação Cristã.

Oração

Ó Senhor, que fizeste de Santo Antônio um apóstolo do Evangelho, concede-nos, por sua intercessão, uma fé decidida e humilde, fazendo com que a nossa vida seja coerente com o Credo que professamos.
(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Nós te louvamos, ó Deus, por intermédio de teu servo Antônio, que quiseste fosse para nós uma testemunha do teu amor e um apóstolo do Evangelho. Concede-nos que mereçamos a sua intercessão e que caminhemos em santidade de vida. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

2° Dia

Cavaleiro de Cristo

Soldado das Cruzadas, Martinho sonhava em ver Fernando armado cavaleiro, grande ideal do jovem medieval. Para surpresa dos pais, Fernando quer seguir carreira religiosa. Tudo bem, pois na Idade Média o jovem nobre ou era cavaleiro ou se tornava monge. Aos 15 anos ingressa no Seminário da Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, que tinham se estabelecido perto da cidade.

Dois anos depois, concluída a Filosofia, pede para ser transferido para Coimbra, a capital portuguesa, onde a Ordem dos Agostinianos tinha o Mosteiro da Santa Cruz. O motivo principal era a disciplina e o silêncio: em Lisboa as visitas eram facilitadas, não se respeitavam muito as regras da vida religiosa.

Em Coimbra os estudos são sérios e o ambiente favorece o ideal de Fernando: trabalho e oração. Adquire uma grande familiaridade com a Sagrada Escritura. É bom lembrar que, naquele tempo, se aprendia a ler com a Bíblia e, como não existia papel, após se aprender a ler, decorava-se o texto. Como Fernando tinha memória excepcional, adquire um conhecimento extraordinário das Sagradas Escrituras.

Concluídos os estudos regulares, Fernando é ordenado sacerdote, mas continua s especializando nos estudos bíblicos.

Certo dia batem à porta do Mosteiro cinco jovens frades, descalços, pobres: pediam esmola em forma de comida. Fernando os antede e pede que entrem e participem da mesa comum.

Conversa muito com os freis Otto, Bernardo, Acúrsio, Adiuto e Pedro.

Antônio descobre que se preparavam para serem missionários na África, no Marrocos. Moravam no convento de Santo Antão dos Olivais, ali pertinho.

Fernando se interessava por tudo o que falam e aproveita para visitá-los no convento. Fica sabendo que os frades são de uma ordem fundada, anos atrás, por Francisco de Assis. Sua espiritualidade era viver na pobreza, nada possuir.

Não tinha conventos e se sustentavam com esmolas. Isso tudo para anunciar a Palavra de Desu. Jovens de toda a Europa estavam fascinados com esse ideal. Eles, dois a dois, anunciavam o amor de Jesus.

Fernando viu os frades partirem, descalços, a pé, rumo a Lisboa, onde embarcariam para Marrocos. Toca-lhe o coração a disposição desses jovens missionários, tão pobre e tão felizes!

Oração

Ó Deus onipotente, que fizeste de Santo Antônio um construtor da paz e do amor fraterno, olha para as vítimas da violência e da guerra e concede-nos a graça de ser, neste nosso mundo convulsionado e repleto de tensões, testemunhas corajosas da não-violência, da promoção humana e da paz.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Senhor, tu fizeste de Santo Antônio pregador e testemunha do teu Evangelho; faze que ele nos ajude a confrontar-nos lealmente com a tua palavra, para que nossos irmãos vejam em nós um sinal e uma realização do Evangelho. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

3° Dia

Frei Antônio de Lisboa

Em fevereiro de 1220 uma notícia sacode Coimbra: Dom Pedro, irmão do rei de Portugal, trouxera as relíquias de cinco frades, missionários no Marrocos. Os jovens insistiam tanto em anunciar o Evangelho que o rei Miramolin os liquida a golpes de espada. Os corpos são jogados à multidão, que os estraçalha. São recolhidos pelos cristãos e remetidos a Coimbra.

Fernando fica emocionado: há poucos meses os frades estavam ali, esmolando, falando da missão e agora, mortos, na capela do Mosteiro da Santa Cruz.

Sente um grande impulso de substituir aqueles jovens, partir para a missão e dar a vida por Jesus. Isso não seria possível como monge agostiniano.

Abre seu coração aos frades do convento dos Olivais quando vêm bater à porta do mosteiro pedindo comida; outras vezes ele mesmo os visita, buscando orientação, pedindo informações sobre Francisco de Assis, sobre os missionários. Amadurece a decisão de ser frade, contando com o apoio de seu superior.

Meses depois, em 1221, Fernando é admitido na Ordem franciscana. Troca de nome: agora se chama Antônio, frei Antônio de Lisboa. Para sua alegria, recebe ordem de partir para as missões no Marrocos. Permanece alguns dias no convento, juntamente com frei Filipe de Castela, aperfeiçoando-se na língua árabe, que já conhecia de Lisboa.

Frei Antônio e Frei Filipe partem, ouvindo o superior repetir as palavras de Francisco de Assis:

“Vão, caríssimos, e anunciem a todos a paz e a penitência para o perdão dos pecados”.

Cheios de disposição, partem para Lisboa: 200km a pé, e anunciam Jesus aos muçulmanos.

Oração

Ó Deus que concedeste a Santo Antônio o dom das curas e dos milagres, concede-nos a saúde da alma e do corpo. Concede serenidade e conforto a todos aqueles que se recomendam às nossas orações e torna-nos sempre dispostos a atender aos doentes, aos anciãos e a todo tipo de infelizes.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Deus, tu sempre nos amas primeiro e nos socorres em nossas necessidades. Concede-nos então a graça de, a exemplo de Santo Antônio, também a nossa presença neste mundo privilegiar as pessoas abandonadas e esquecidas pela sociedade.

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

4° Dia

Deus tem os seus Caminhos

Frei Antônio desembarca no Marrocos com todo o ardor missionário. Mas, o homem propõe e Deus dispõe. Mal chegou e uma grave enfermidade o prostra no leito, deixando-o incapacitado durante meses para qualquer atividade. para alguns pesquisadores, foi a malária, mais tarde agravada pela hidropisia.

Os frades se desvelam em cuidar dele, o que o deixa constrangido: além de não estar anunciando o Evangelho, está impedindo os outros de fazê-lo! Três meses depois tenta se levantar e mal consegue ficar em pé. Nunca mais teve saúde perfeita.

Para não se pesado para ninguém, decide retornar à sua pátria, Portugal. Com dor no coração, despede-se dos frades e da pequena comunidade cristã.

A viagem de retorno inicialmente foi bem. Mas, ao chegar no Gibraltar, uma tempestade terrível ameaça a embarcação. Nada se podia fazer. O capitão, homem experiente, decide deixar o barco solto, ao sabor das ondas, a fim de não bater nos rochedos. Dias depois, aportam em Messina, na Sicília. Estavam na Itália, não em Portugal.

Havia em Messina um pequeno convento, para onde se dirige. É recebido com alegria e conta sua história, suas dores, seu fracasso missionários. Frei Antônio passa os dias pensando nos planos de Deus e conclui que, humanamente, seus planos estão dando em nada!

Os frades de Messina comunicam que em Assis se realizará uma grande assembleia franciscana, o Capítulo Geral da Ordem. Francisco convidara a todos os frades para dele participarem. E todos se dirigem a Assis. Contra sua vontade, frei Antônio vai de navio, junto com o idoso superior. Seu desejo era ir com os frades e, durante uns vinte dias, percorrer os 600 km até Assis. Em fins de maio de 1221, festa de Pentecostes, todos estão na cidade de Francisco.

São quase três mil frades reunidos na cidade, espalhados pela planície, dormindo sobre esteiras em pequenas cabanas. Foi chamado o “Capítulo das Esteiras”.

 

Bom para nada

O Capítulo das Esteiras ficou marcado na história dos frades e do povo de Assis. Da parte dos frades, a recordação do último encontro de todos com Francisco e da parte do povo, a lembrança daqueles milhares de irmãos espalhados pela planície, rezando, cantando, provenientes de lugares tão diversos da Europa. Assis, uma cidade tão humilde da Úmbria, agora era o centro do mundo cristão.

O povo trazia esmolas, comida, tudo com tal abundância que foi necessário pedir que parassem. Ainda assim tudo terminado, os frades permaneceram dois dias para consumir o resto.

Frei Elias, vigário-geral, presidia aos encontros. Sentado a seus pés, humilde, frágil para seus 40 anos, o grande Francisco de Assis. Frei Antônio assistia a tudo com emoção. Mais do que assistia, enchia os olhos com a visão daqueles frades piedosos, animados, com a visão de Francisco.

Frei Antônio sofria seu “fracasso” missionários, mas as palavras de Francisco encheram-no de luz, pareciam ser dirigias pessoalmente a ele:

“Peço a todo irmão doente que, dando graças por tudo ao Criador, deseje ser assim como o quer Deus, seja são ou seja enfermo, pois ao que Deus predestinou para a vida eterna, a eles ensina com o aguilhão dos flagelos e das enfermidades… Por isso, pelo a todos os meus irmãos enfermos que, em suas enfermidades, não se encolerizem nem se inquietem contra Deus ou contra os irmãos, nem vivam por demais ávidos por encontrarem remédio… nem pretendam excessivamente libertar a carne que em breve há de morrer e é inimiga agonizante da alma.”

Frei Antônio entendeu que suas intenções, por mais santas que fosse, não eram as intenções de Deus.

Ao final do capítulo, cada ministro provincial ou superior apresenta a Frei Elias suas exigências ou necessidades. Era a distribuição dos frades pelos vastos campos da evangelização. Os frades todos receberam novas missões e Antônio, que não tinha sido notado, sobrou. alguns acharam que fosse um noviço, ou como escreveu seu primeiro biógrafo, “bom para nada”.

Acharam para ele um superior na pessoa de Frei Graciano, provincial da Romagna. Quando Frei Graciano lhe pergunta quais os seus planos, ele responde que não tinha nenhum, poi o único fracassara, que era ser missionário na África.

Quando Frei Graciano descobre que ele era padre, o destina a Forlí, no conventinho de Monte Paulo. Os frades queriam Missa diária e Frei Antônio serviria ao menos para isso.

Oração

Ó Senhor que viestes fazer de Santo Antônio um infatigável pregador do Evangelho pelas estradas da humanidade, protege, com tua misericórdia paterna, os viajantes, os fugitivos, os emigrantes, mantendo-os longe de todo e qualquer perigo e dirigindo seus passos pelos caminhos da paz.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Deus, nosso Pai, ajuda-nos a viver os ensinamentos e imitar os exemplos de Santo Antônio, que gastou sua vida difundindo a grande mensagem de salvação de Cristo crucificado. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

5° Dia

Surpresa na Catedral de Forlí

Quando não se achava em oração na capela ou na pequena caverna que lhe fora preparada, frei Antônio estava servindo os outros frades, lavando panelas e pratos depois das refeições comuns. Cultivava a terra, cuidava dos animais, trabalhava na horta e no jardim. Ali ficou um ano e meio.

Em 1222, diversos diáconos seriam ordenados sacerdotes na catedral de Forlí. Um grande acontecimento para a cidade: estavam presentes, além do povo, freis dominicanos, frades franciscanos e religiosas. O bispo estava paramentado, a procissão formada e a surpresa: o pregador há tanto tempo convidado não estava presente.

Procuraram convencer um dominicano para assumir a missão, mas nenhum se sentia preparado. Os frades menos ainda.

Por inspiração, Frei Graciano pede a Frei Antônio que fizesse o sermão. Frei Antônio argumentou que era indigno. Mas Frei Graciano falou sério: “Você estudou Bíblia, é padre, sabe dizer alguma coisa. Em nome da obediência, seja o pregador!” E assim foi.

Após o Evangelho, frei Antônio sobe ao púlpito e começa a comentar as palavras de São Paulo: “Cristo se fez obediente até a morte e a morte de cruz” (Fl 2,8)

Primeiramente falou em italiano popular para todo o povo, animando a todos a não perderem a esperança naquela época tão difícil em que o pobre era tão explorado, em que a cruz parecia insuportável. Sua palavra é dura contra os poderosos que oprimiam o povo.

De repente, para espanto de todos, começa a falar em latim, dirigindo-se ao bispo, aos padres e jovens clérigos, citando trechos da Bíblia. Ao terminar, todos estavam emocionados e admirados. Ao terminar a celebração, todos querem ver de perto o grande pregador.

Depois, em particular, parabenizando-o, Frei Graciano lhe diz: “Una sempre uma grande humildade à grande sabedoria que hoje demonstrou”. Lembrando sempre estas palavras, frei Antônio também recordava o que Francisco dissera no ano anterior, no Capítulo das Esteiras:

Anunciem aos fiéis os vícios e as virtudes com palavras simples e breves e tenham sempre em estima e acima de tudo o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar.”

Sofrimentos na Igreja

Após a “supresa” em Forlí, mudam os caminhos de Frei Antônio de Lisboa. Frei Graciano conversa muito com ele, fala da necessidade de pregadores, da ignorância religiosa que estava afastando muita gente da Igreja. Comunica-lhe que deve deixar o convento de Monte Paulo, pois o povo precisa muito de quem lhe aponte o bom caminho.

Dois dias depois, Antônio segue para anunciar o Evangelho em toda a região da Romanha e, depois, da França.

Aqueles tempos estavam sendo difíceis para a Igreja. Era grande o número de heresias. A culpa nem sempre era do povo.

Muitos queriam ouvir o verdadeiro Evangelho, aprender a imitar Jesus, mas boa parte das autoridades religiosas estava muito firme no poder e descuidava da vida cristã. Havia-se criado um muro entre hierarquia e o povo. Papa, reis, bispos, gente importante apegava-se ao poder, não enxergando o sofrimento do povo.

Buscando um novo caminho, surgiram numerosas seitas que se colocavam contra a igreja, o papa, os sacramentos…

No fundo, não eram pessoal mal intencionadas: apenas queriam reagir a esta Igreja poderosa e viver segundo o Evangelho, na pobreza e na penitência. Havia o sonho de uma igreja pobre, vivendo como os apóstolos.

O mais importante destes movimentos foi o dos “Cátaros”, palavra que em grego significa “puros”. Negavam a bondada da realidade material: ” só o espiritual é bom”. Para eles, a criação material não era obra de Deus.

Nem tudo aquilo que fosse organização humana. Negavam, então a igreja, o Estado, a Encarnação de Cristo, sua paixão e morte e a Eucaristia. Espantados com os males da época, concluíram que tudo o que é material é diabólico. Fizeram muito sucesso, especialmente nas cidades mais populosas do sul da França.

A espiritualidade de São Francisco foi o melhor remédio para esse males: pobreza e simplicidade de vida, oração, imitação da vida de Jesus, penitência, fé na bondade de Deus e de toda a criação.

É no meio desta realidade que Frei Antônio realiza seu trabalho missionário, buscando converte os pecadores e trazendo de volta à Igreja os afastados.

Oração

Ó Deus todo-poderoso, que concedeste a Santo Antônio até o milagre de religar ao corpo membros já separados dele, reúne também todos os cristãos na tua Igreja una e santa, fazendo com que eles vivam de tal modo o mistério da unidade que cheguem a ser um só coração e uma só alma.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

O exemplo de Sato Antônio, pobre e defensor dos pobres, nos encoraje a lutar pela promoção humana de todos os nossos irmãos, animados unicamente de sentimentos de paz e de amor fraterno. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

6° Dia

O Milagre dos peixes

Nas suas andanças missionárias, Antônio chegou a Rímini, cidade onde os cátaros tinham feito muito sucesso e exerciam enorme influência sobre o povo. Antônio, como sempre, foi à Praça da Catedral pregar o Evangelho. Como haviam pouquíssimas pessoas, ele combinou que se reencontrariam no dia seguinte. Passou a noite em oração. No dia seguinte, à hora marcada, encontrou as mesmas pessoas do dia anterior e outras, os próprios hereges. Antônio comentou a Bíblia e, quanto mais falava, menos acreditavam em suas palavras. Por fim não quiseram mais ouvi-lo.

Antônio rezou muito. Certo dia foi caminhar à beira do mar Adriático, na foz do rio Marecchia. Para espanto de alguns que o acompanhavam, Antônio para, ergue as mãos e grita olhando para as águas: “Ouçam a palavra de Deus, vocês, peixes do mar e do rio, pois os infiéis não querem ouvi-la!”

No mesmo instante, grande multidão de peixes aproximou-se da praia, colocando a cabeça para fora a fim de ouvir o Santo falar. Todos estavam atentos, os menores mais à frente e os maiores nas águas mais profundas.

Depois de muito falar, Antônio ainda gritou em louvor: “Bendito seja o Deus eterno porque mais o honram os peixes aquáticos do que os homens heréticos, e melhor escutam suas palavras os animais do que os homens infiéis.”

Quanto mais falava, mais o peixes vinham e por fim o povo também começou a afluir, incluídos os hereges que caíram a seus pés e pediram-lhe para que continuasse a falar. Pregou então sobre a fé católica, fazendo os cátaros voltarem à verdadeira fé.

Despediu os peixes com a bênção de Deus e todos partiram felizes, povo e peixes.

 

O Milagre da Eucaristia e da Mula

Estando outra vez em Rímini, Antônio pregava sobre a Eucaristia. Enquanto falava, um herege chamado Bonvillo fazia pouco de suas palavras, blasfemava e ridicularizava a presença de Jesus na Hóstia consagrada. Antônio argumentava e Bonvillo fazia farra.

Num dado momento, Bonvillo gritou: “Ó frade, acreditarei na Eucaristia se tiver uma prova.” E propôs o seguinte desafio: “Vou deixar minha mula três dias sem comer seu alimento preferido, o feno do campo. Depois de três dias tu colocarás diante dela isso que dizes ser Hóstia sagrada. E eu, de minha parte, colocarei o cheiroso feno do campo. Se ela não comer o feno e adorar a Eucaristia, acreditarei”.

O povo ficou impressionado, silencioso, esperando a resposta de Antônio: “Aceito, para teu bem, do povo e da glória e honra de Deus.”

Três dias depois a praça estava tomada pelo povo. Um hino começa a ser cantado dentro da Catedral e, em procissão, Antônio traz a Hóstia sagrada.

Pouco depois, aos berros e blasfêmias, empurrando a mula, chega Bonvillo. Trouxe um saco cheio de feno que espalhou perto do altar. Soutou a mula para o lado de Antônio, esperando que avançasse sobre o feno. O animal não saía do lugar, por mais que Bonvillo o empurrasse e batesse com o chicote.

Antônio, que estava todo o tempo de joelhos, se ergue para abençoar o povo com o Santíssimo Sacramento. O povo se ajoelha e a mula, para admiração de todos, dobra respeitosamente as patas dianteiras em adoração.

Único em pé é Bonvillo. Mas foi tocado pela graça divina e, cheio de lágrimas, cai de joelhos adorando o Santíssimo.

Oração

Ó Senhor, Jesus, que fizeste Santo Antônio um grande mestre da vida espiritual, ajuda-nos a renovar a nossa vida de acordo com os ensinamentos do Evangelho e das bem-aventuranças cristãs, tornando-nos também nós promotores de vida espiritual para os nossos irmãos.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Deus, bom e misericordioso, concede a nós, teus filhos, a saúde do corpo e da alma, e, por intercessão de Santo Antônio, livra-nos dos males da vida presente e guia-nos à salvação eterna. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

7° Dia

Missões na França

Por volta de 1223, Francisco recebe notícias das maravilhas realizadas por Frei Antônio. Muitos frades desejavam conhecer as Sagradas Escrituras e pedem a Francisco um professor. Francisco tinha receio de que a ciência encheria dos frades de orgulho, enquanto que a oração dos faria permanecer na humildade. Como lhe disseram que Frei Antônio era um homem de intensa oração e grande humildade, aceitou o peido e o nomeia professor de Teologia dos frades, o primeiro na Ordem a desempenhar tal função. Francisco escreveu-lhe:

A Frei Antônio, meu bispo, eu, Frei Francisco, apresento votos de saúde. Desejo muito que ensines a Sagrada Teologia aos frades, desde que este estudo não apague neles o espírito da santa oração e da devoção, como está escrito em nossa Regra.”

Por um ano Frei Antônio fixa residência em Bolonha.

Frades e pessoas cultas procuram ouvir suas lições de Sagrada Escritura e Teologia.

Em janeiro de 1225 Francisco o envia, com outros três frades, para o sul da França, onde surgiu um movimento religioso que negava a autoridade do Papa. Em pleno inverno, a pé, Frei Antônio se dirige à França. Os frades caminham pelas estradas cobertas de neve. São recebidos com grande alegria em Montpellier, onde existia um convento de frades menores.

Prega o Evangelho ali, em Carcassone, Toulouse, Limoges. Frei Antônio sabe que a pregação sozinha não convence. Por isso preocupa-se mais com a oração do que com a palavra. passa longas horas na igreja, em profunda meditação.

Frei Antônio operou muitos milagres na França, convertendo muitos hereges.

Em 3 de outubro de 1226 morre Francisco de Assis. Frei Antônio recebe a notícia na Fraça, e junto a convocação para o Capítulo Geral em Assis, em Pentecostes do ano seguinte. Deixa Montpellier, atravessa pé a Provença e se dirige a Assis.

Ficava sempre mais claro que a missão de Frei Antônio era anunciar o Evangelho. Dotes não lhe faltavam: eloquência, poder de persuasão, zelo ardente pelas almas, voz sonora que alcançava longe, personalidade atraente e quase magnética.

Às vezes bastava vê-lo para que pecadores caíssem de joelhos. Parecia irradiar santidade.

Aonde fosse, as multidões se reuniam, criminosos e hereges se convertiam, o comércio era fechado.

Havia mulheres que ficavam a noite inteira na igreja pra garantir um lugar. Como as igrejas eram pequenas, pregava nas praças e mercados.

Oração

Ó Jesus, que deste a Santo Antônio a graça incomparável de abraçar-te como menino entre seus braços, abençoa os nossos filhos e as crianças abandonadas, fazendo com que cresçam bons, sadios e bem-orientados, vivendo sempre no santo temor de Deus .

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Deus, rico em misericórdia, que escolheste Santo Antônio para reconciliar os homens contigo pelo sacramento da penitência, ajuda-nos a viver a fé do nosso batismo com disponibilidade plena e ativa. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

8° Dia

Consagração total aos Pobres

Estamos no Pentecostes de 1227, capítulo geral dos frades franciscanos. Não existia a alegria de seis anos atrás: todos se sentem privados do pai comum, Francisco, falecido no ano anterior. Frei Antônio dirige-se a seu túmulo, onde passa horas em oração, pedindo a Francisco a graça da humildade, do amor à cruz, da simplicidade do Menino Jesus no presépio. E pede com intensidade:

Dá-me força e coragem para combater injustiças, violências e prepotências. Quero dedicar minha vida à evangelização dos pobres. Quero confortá-los com palavras belas e simples. Pai Santo, ofereço minha vida aos pobres mais esquecidos.

E faz um juramento de dedicar-se totalmente aos pobres.

Mas, para surpresa sua, é eleito ministro provincial do norte da Itália, uma região imensa, cheia de cidades importantes, como Milão, Bolonha e Pádua. Aceita o cargo com humildade e obediência e inicia sua missão. Deve visitar, a pé, todas as comunidades religiosas. Bolonha era a sede da Província: ali reside entre uma viagem e outra.

No inverno de 1227 chega a Pádua, pela primeira vez. Ali, fora dos muros, no local chamado Arcella, há um convento dos frades e um mosteiro de Clarissas, ordem religiosa fundada por Francisco junto com Clara de Assis.

Após alguns dias, Antônio quer partir, mas os frades o impedem devido ao estado geral de fraqueza física que o atingia. Frei Lucas Belludi, seu companheiro daqui para frente, o convence a ficar e dedicar-se a escrever seus Sermões.

Estava em Arcella quando foi chamado a Roma, em fevereiro de 1228, para uma conversa com o Ministro Geral da Ordem, que queria alguns conselhos especialmente com relação ao voto de pobreza. Antônio, acompanhado de Frei Lucas, parte, a pé, chegando em Roma no mês seguinte. Cumprida a missão, decide voltar a Pádua, mas o papa Gregório IX, que fora amigo de Francisco, quer ouvi-lo, pois escutara de sua fama.

Tendo pregado ao Colégio Cardinalício e ao papa, impressionou-o de tal modo que lhe deu o título de “Arca do Testamento”, devido a seu conhecimento das Escrituras. Gregório IX pede-lhe que fique alguns meses em Roma, para pregar aos peregrinos que viriam por ocasião da Páscoa.

Depois, acompanhado de Frei Lucas, dirige-se para o norte. Passa por Assis, pois neste dia 16 de julho de 1228 há um acontecimento importante: o papa Gregório IX estava canonizando Francisco, agora São Francisco de Assis. Menos de dois anos após sua morte.

Frei Antônio participa das cerimônias e inicia o retorno a Pádua.

Oração

Ó Jesus misericordioso, que deste a Santo Antônio sabedoria e dons especiais para guiar as almas à santidade através da pregação e do ministério sacerdotal, dá-nos a graça de nos aproximar com humildade e fé do sacramento da reconciliação, grande dádiva do teu amor para conosco.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

9° Dia

O Milagre do Vinho e da Taça

Antônio e um frade desciam da França para a Itália e estavam tomados pela fome. Chegam a um povoado e fala ao companheiro: “Irmão, quando estamos com fome podemos pedir esmola, sem ter vergonha disto. Jesus foi pobre e viveu de esmolas”.

Batem à porta de uma casa e uma velhinha pobre e viúva vem atendê-los. Cheia de compaixão pelos frades, manda-os entrar e participar de sua mesa: meio pão seco, algumas azeitonas e algumas nozes. Desce à adega e traz um jarrinho de vinho para que bebam. Como tem apenas um cálice vai à vizinha e pede um emprestado.

Os frades, dando graças a Deus, iniciam a refeição. E começam os problemas. O companheiro de Antônio, desajeitado, bate com o copo na mesa e o parte em dois. A pobre mulher fica sem jeito, pois o cálice era emprestado. Mas faz que não viu.

Desce à adega para trazer mais um pouquinho de vinho e, assustada, viu que deixou a torneirinha aberta e todo o vinho estava derramado pelo chão. Retoma triste: “Ai de mim, perdi todo o vinho e já não posso servi-los…”

Antônio, comovido pela dupla desgraça, inclina-se sobre a mesa e se recolhe em oração. Após alguns minutos, o cálice repartido se recompõe como se fosse novo e a mulher exulta de alegria. Mas o santo continua: “Vá à adega e encha a jarra de vinho pois meu companheiro está com a garganta seca”.

A mulher, mesmo sabendo que o vinho estava todo derramado, desceu. E, maravilhada, encontra a pipa cheia de vinho, fervilhando como se fosse novo. Sobe depressa para agradecer ao bom homem. Mas eles já tinham ido embora, pois receavam que o povo, sabendo do fato, os enchesse de honras.

 

Reconhecendo o pai

Em Ferrara, certo homem estava duvidando da sua própria esposa: não queria reconhecer a paternidade do filho. Solicitado pela mãe aflita, Antônio vai ao encontro da família, toma o bebê nos braços e pede-lhe que, em nome de Deus, indique quem é seu pai.

O recém-nascido estende as mãozinhas e, sorrindo, mostra que quer ir ao colo daquele homem ciumento. E assim toda dúvida se desfaz.

Oração

Ó Espírito Santo, que na pessoa de Santo Antônio deste à Igreja e ao mundo um grande mestre da doutrina cristã, faze com que todos os que se dedicam à informação sintam sua grave responsabilidade, servindo à verdade com caridade e respeito para com as pessoas humanas.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Deus, única fonte da vida e da alegria, liberta-nos do pecado e da morte. Por intercessão de Santo Antônio, transforma-nos em homens novos que amam, rezam e procuram manter a paz entre os irmãos. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

10° Dia

A Avareza

Frei Antônio e Frei Lucas, no retorno a Pádua passam por Florença. Ali viram um cortejo fúnebre, caixão ainda aberto: o morto era um famoso usurário e avarento da cidade, riquíssimo. Nunca em vida dera uma esmola e colocara na prisão os que lhe deviam. O único perfume que lhe fazia bem era o cheiro do dinheiro.

Já perto da igreja, os parentes vêem Frei Antônio e pedem que dirija algumas palavras ao finado, esperando, é claro um sermão elogioso. Antônio sobe a escadaria e profere palavras fortes contra a avareza. Entre outras coisas diz:

A avareza é uma fumaça escura que cega os olhos dos homens. O avarento é um pobre, porque é o dinheiro que manda nele. Não é um possuidor, mas um possuído. Julga sempre que tem pouco, por isso é o mais miserável dos infelizes. Acumula tesouros perecíveis, mas não tesouros eternos. Olha para a terra e não para o céu.

Sua voz era sempre mais forte e poderosa na defesa dos pobres. Em Pádua proclamou:

O homem não vale pelo que tem, nem pelo que faz, mas pelo que é diante de Deus. Perante o Altíssimo os títulos de nobreza, as roupas luxuosas, os colares nada valem. Usurários, raça pérfida, raça de víboras, vós não tendes coração dentro do peito. Vós o tendes cerrado nos vossos cofres…

Frei Antônio não fica apenas nas palavras. Empenhas-se concretamente em favor dos pobres. Estes, por necessidade, pedem dinheiro emprestado a juros altíssimos que depois são duplicados, triplicados. Quem não consegue pagar passa o resto da vida na prisão e os filhos são reduzidos à miséria, devendo mendigar um pedaço de pão.

Não suportando leis tão injustas, dirige-se aos poderosos de Pádua e consegue um estatuto que permite que esses prisioneiros possam ser libertos, ao mesmo tempo em que não pode ser preso quem oferecer sua propriedade em troca da dívida.

Oração

Ó Senhor, que és o dono de toda a terra cultivada e ainda a cultivar, nós te rogamos que, por intercessão de Santo Antônio, chames e envies muitos e dignos religiosos e sacerdotes à plantação e à colheita da tua imensa lavoura, enchendo os corações desses teus missionários com um grande amor a ti e às almas, inflamando neles o zelo e a generosidade.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Pai, nós te bendizemos por teu servo Antônio, que constituíste testemunha do teu amor, apóstolo do Evangelho e da Eucaristia, defensor e amigo dos pobres; concede-nos a graça de merecermos sua intercessão e de caminharmos sempre nesta vida de acordo com o seu exemplo. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

11° Dia

Todos querem ouvir “O Santo”

A viagem prossegue, com os dois frades enfrentando o calor e estradas poeirentas. A saúde de Frei Antônio se enfraquece sempre mais e suas pernas estão debilitadas, consequências da doença no Marrocos. Caminham pela borda da estrada, a fim de refrescar os pés descalços no gramado.

Quando possível, pedem a algum camponês que os leve no carro de bois. Em fins de 1229, chega a Pádua completamente exausto. Procura se recuperar no convento de Arcella, mesmo assim não descansado: ali conclui a redação de seus Sermões.

Frei Elias, Ministro Geral, aceita seu pedido de deixar o cargo de ministro provincial. Frei Antônio lhe diz que quer dedicar-se aos pobres, entregar-se à pregação e à confissão dos pecados. E também quer silêncio e recolhimento para se dedicar à oração.

Frei Elias acha que está pedindo demais, porém o libera do encargo. A partir de 1230 fixa-se em Pádua, onde chega a falar para multidões de 30 mil pessoas.

O povo passa a chamá-lo de “o Santo”. Quando fala, o silêncio é total. Todos querem tocá-lo. Mulheres levam tesouras para cortar um pedacinho de suas vestes. Um grupo de jovens robustos o protege, caso contrário, seria literalmente feito em pedaços.

Pádua e seu povo são a predileção de Antônio. Não porque o povo fosse melhor, pelo contrário, havia ali mais brigas e perversidades. Mas Frei Antônio amou Pádua e os paduanos porque ali aconteceram as maiores conversões.

Frei Antônio chegou a fundar ali uma Associação dos Convertidos, com igreja própria e reuniões especiais. Um convertido sem acompanhamento pode facilmente retornar aos antigos erros.

 

Frei Antônio Catequista

Frei Antônio gostava de todos e gostava muito de se encontrar com as crianças e elas, mais ainda, com ele. Rodeado delas, transformava-se num catequista divertido, explicando de modo muito simples as coisas de Deus:

Era uma vez um rei que tinha muitas coisas, mas gostava de modo especial de um anel de ouro ornamentado com uma pedra cintilante. Num dia, ao passar por um brejo, atolou na lama e perdeu o anel. E ficou preocupado: ‘Onde encontrarei alguém para achar este anel?’ Pediu para um soldado e este não aceitou. Como gostava demais do anel, o próprio rei despiu-se das vestes e entrou na lama. Depois de muito procurar, encontrou o anel precioso e ficou muito feliz.

Então as crianças pedem-lhe que fale mais do rei e do anel. Antônio então continuou:

O rei é Deus. O anel precioso é o homem; a pedra preciosa é sua alma. A lama onde ele atolou é o pecado e no pecado se perde o anel, a alma. Nenhum anjo aceitou descer à lama para salvar aquela pessoa. Então Deus enviou seu Filho Jesus que, morrendo e ressuscitando, livrou a todos nós da lama do pecado.

E as crianças, satisfeitas, vão para casa. Convencia de tal modo as pessoas que, num dia, explicando a Palavra de Jesus (Mt 5, 29-30), afirmou:

Ai do filho que levanta a mão para bater na sua mãe! Melhor seria para ele que a cortasse.

Pouco depois chega uma mãe desesperada, pedindo socorro a Frei Antônio. Perguntando o que tinha acontecido, ela disse: “Meu filho brigou comigo e deu-me um pontapé violento. Escutando o que o senhor disse, ele cortou o pé com um machado. Socorro, frei!”

Frei Antônio vai à casa, pede que lhe tragam o pé e o encosta à perna mutilada. O jovem fica perfeitamente curado. Depois, pelo caminho, concluiu:

Deus nos ama e ama também o nosso corpo. Também nós devemos amar o nosso corpo pois é com ele que vivemos aqui na terra.

Oração

Ó Jesus, que escolheste o papa para ser pastor universal, sumo sacerdote e anunciador da verdade e da paz, por intercessão de Santo Antônio ampara-o e conforta-o nesta sua difícil missão.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Ó Senhor, quando ainda éramos pecadores, vieste ao nosso encontro e foste o primeiro a nos chamar. Concede-nos a graça de sabermos ir ao encontro dos irmãos com um coração aberto e generoso, a fim de amá-los como tu os amaste.

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

Festa de Santo Antônio

Nas Mãos de Deus

Na manhã quente de 13 de junho de 1231, Frei Lucas e os outros frades preparam a carroça de um camponês para nela transportarem Frei Antônio. Está fraco, tomado pela dor e pela febre. A viagem, cheia de solavancos, é cansativa, dolorosa.

Frei Antônio conserva os olhos sempre abertos, voltados para o céu. Nada mais neste mundo desperta sua curiosidade.

Os amigos choram, mas Antônio tem forças para consolá-los, especialmente ao grande amigo, Frei Lucas:

Não chore por minha causa, Frei Lucas. O Pai Francisco chamou a morte corporal de nossa ‘irmã’. Eu eu assim a considero, porque será ela a abrir-me as portas do céu! Lá do céu espero ajudar ainda mais os pobres, os pequenos, os doentes, os fracos, os velhos, os pecadores… Os pobres, Frei Lucas, são o povo de Deus. É por isso que os que vivem em verdadeira pobreza possuem alegria”.

Perto do meio dia o carro pára, a fim de que o doente repouse um pouco à sombra de uma árvore. Antônio reúne forças e diz: Frei Lucas, de quanto mais longe regressar o pecador ao Pai, tanto mais amorosamente é por ele acolhido.”

Vendo a situação se agravar, Frei Lucas diz que precisam seguir o caminho, que a estrada é longa. Pede desculpas pelo incômodo da viagem. E Frei Antônio, respirando com dificuldade e mal conseguindo mover os lábios, responde-lhe: “Se perguntarmos a Cristo qual é o caminho pelo qual se vai ao Pai, Ele nos responderá: ‘Pelo caminho da cruz’. A subida ao Calvário foi bem mais dura que esta minha última viagem.”

Frei Antônio não conseguiu chegar até Pádua e foi deixado no convento de Santa Maria de Arcella. A decisão foi sábia: se o povo de Pádua visse Antônio nesse estado, haveria tumulto incontrolável.

Antes de entrar no convento, Frei Antônio deu sua última bênção à sua querida Pádua. Pediu que Frei Lucas o atendesse em confissão. Após isso, cercado pelos irmãos e pelas irmãs, com voz suavíssima Frei Antônio canta um hino à Virgem Maria: “Ó gloriosa Senhora, mais alta que as estrelas…”

Os frades entoam alguns Salmos e Frei Antônio, tranquilamente, vai deixando este mundo e ingressando na Pátria celeste.

No dia 13 e junho de 1231, sexta-feira, morreu serenamente. Sem ninguém saber como, as crianças saem pelas ruas e Pádua gritando: “Morreu o frade santo! Morreu Santo Antônio!”

Pouco a pouco forma-se grande multidão para ver o Santo pela última vez.

Antônio é sepultado na terça-feira seguinte, passando a ser, para sempre, “o Santo”.

Oração

Ó Senhor, que deste a Santo Antônio a graça de ir ao encontro da sua irmã morte com espírito sereno e confiante, orienta nossa vida para ti, assiste e conforta os agonizantes e concede a paz eterna às almas de nossos irmãos falecidos.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Senhor Jesus, nós te suplicamos: com a graça do Espírito Santo, aumenta a nossa fé em ti; enriquece nossas vidas com boas obras e concede-nos que um dia possamos nos saciar plenamente de ti, na visão e gozo de tua gloriosa e divina presença. tu que és bendito pelos séculos sem fim. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

12° Dia

Maria lhe oferece o Menino Jesus

Em 1231, após pregar uma série de Sermões na Quaresma, suas forças cedera e, com outros frades, Frei Antônio recolheu-se a um lugar retirado, cheio de árvores, em Camposanpiero. Havia um convento quase encostado ao castelo do Conde Tiso e, na vizinhança, um belo bosque. No meio, uma frondosa nogueira.

Frei Antônio, desejoso de silêncio, decide fazer no meio dos ramos uma pequena cela para si. O Conde Tiso, sabendo desse desejo, com tábuas e esteiras constrói ele próprio a pequena cela. Ali Frei Antônio se dedica à contemplação.

Alguns colonos, informados da presença dele, aproximam-se e pedem-lhe que fale de Deus. E, com voz suave, Frei Antônio fala do amor de Deus, da Virgem Maria e do Menino Jesus.

Todos o escutam até alta noite. A cada dia mais camponeses querem ouvi-lo, não lhe dando a paz que tanto desejava.

Num dia, quando almoçava com os frades, as forças o abandonaram. Ajudado, tenta se levantar, mas não consegue permanecer de pé. Quer retornar a Pádua, mas os freis exigem que permaneça numa cela do convento, até recuperar um pouco as forças.

Numa noite, o velho Conde Tiso vem ao convento fazer uma vigília. Preocupado, resolve olhar Frei Antônio através de uma janelinha da cela. Ele está de joelhos, com os braços estendidos para a frente. O Conce escuta a oração:

Ó Filho de Deus, peço-te com toda a devoção que me libertes dos pecados. E quando chegar o último dia de minha vida, faze com que, conduzido pela mão dos anjos, eu possa chegar até ti cheio de júbilo.

De repente uma forte luz ilumina toda a cela. E o Conde vê, entre os braços de Antônio, o Menino Jesus, cheio de alegria. Frei Antônio o abraçava e beijava, contemplando-lhe a face com ardor incessante.

Era tal o amor de Frei Antônio pelo Menino Jesus que Maria resolve dar-lhe a alegria de tê-lo ao colo, como ela o tivera em Belém.

Depois a luz enfraquece e desaparece. O Conde precipita-se para dentro da sala e Frei Antônio está prostrado no chão. Seu rosto reflete ainda um raio daquela luz divina.

Oração

Ó Deus, uno e trino, que este a Santo Antônio a graça de conhecer, amar e glorificar a Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, ajuda-nos para que sempre nos aproximemos confiantes do seu coração de Mãe, com o desejo de melhor te servir, amar e glorificar, a Ti que és o Amor.

(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)

Escuta, Senhor, a oração da tua Igreja; por intercessão de Santo Antônio, concede-nos os teus dons e torna-nos dóceis ao teu amor. Amém!

Santo Antônio. Rogai por nós!

BESEN, Pe. José Artulino. Antônio: O Santo do Povo. 4 ed. Florianópolis: Jornal Missão Jovem, 2011.

POI, Terenzio de. Santo Antônio: Trezena e Orações. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1994.

Oração do Desempregado a Santo Antônio

Santo Antônio, em vossa vida procurastes trabalhar sempre pela glória de Deus e pelo bem das pessoas. Olhai compassivo para minha necessidade. Preciso de trabalho para cumprir o mandamento do Senhor e dele preciso também para meu próprio sustento e de meus familiares. Vós que tanto podeis junto de Deus fazei com que encontre um trabalho digno, remunerado, honrado, para que possa sentir a alegria de estar servindo a deus e estar cumprindo minha obrigação para com aqueles que me foram por Ele confiados. Ajudai-me, pois, neste momento angustioso, vós que conhecestes o valor do trabalho, o sacrifício da fome, a alegria de um lar pacificado. Assim seja! Amém!

Oração a Santo Antônio para que nunca falte o pão

Santo Antônio, amigo dos pobres, que inspirais vossos devotos a vos honrar oferecendo pão aos necessitados, eu vos rogo a graça de nunca ter falta de pão na minha mesa, ganho com meu trabalho honesto e meu suor. Em troca vos prometo olhar sempre pelos mais necessitados, repartindo uma parte daquele pão que enviarei à minha mesa. Sobretudo, ajudai-me a buscar sempre o Pão Vivo que desceu do céu, que é o próprio Senhor Jesus Cristo, verdadeiro alimento para uma vida feliz. Vós que tantas vezes o tivestes em vossas mãos, fazei que também nunca me falte este pão e o tenha, sobretudo, na hora de minha morte. Amém!

Oração a Santo Antônio pela Família

Meu querido Santo Antônio, vós que em vida sempre guardastes e defendestes a família, ajudando-a a se purificar para melhor cumprir sua missão educadora, olhai pela família de hoje, tão exposta a perigos materiais e espirituais, que a cada momento ameaçam dissolvê-la. Olhai, de modo especial, pela minha família, para que nós nos entendamos bem, nos amemos profundamente, cultivemos a presença de Deus e sua lei e nossos filhos se possam tornar pessoas dignas e úteis à sociedade de hoje, tão necessidade de líderes cristãos que saibam conduzir os negócios temporais à luz dos princípios espirituais. Santo Antônio, uma grande bênção para todas as famílias e uma especial para a minha família. Amém!

Oração dos Namorados

Santo Antônio, que sois invocado como protetor dos namorados, olhai por mim nesta fase importante da minha existência, para que não perturbe este tempo bonito da minha vida com futilidades e sonhos sem consistência, mas o aproveite para um melhor e maior conhecimento daquele ser que Deus colocou ao meu lado e para que ele também melhor me conheça. Assim juntos preparemos o nosso futuro, onde nos aguarda uma família que, com vossa proteção, queremos cheia de amor, de felicidade, mas sobretudo de bênção de Deus. Santo Antônio, abençoai este namoro, para que transcorra no amor, na pureza, na compreensão, na sinceridade e na aprovação de Deus. Amém!

Oração para pedir uma graça

Lembrai-vos, ó grande Santo Antônio, que o erro, a morte, as calamidades, o demônio, as doenças contagiosas fogem por vossa intercessão. Por vós, os doentes recobram a saúde, o mar se acalma, as cadeias dos cativos quebram-se, os estropiados recobram os membros, as coisas perdidas voltam aos seus donos. Os jovens e os velhos que a vós recorrem são sempre ouvidos. Os perigos e as necessidades desaparecem. Cheio de confiança, a dirijo-me a vós. Mostrai hoje vosso poder e obtende-me a graça que desejo. Amém!

Oração em Ação de Graças

Glorioso taumaturgo Santo Antônio, pai dos pobres e consolador dos aflitos, que com tanta solicitude viestes em meu auxílio e assim me consolastes: eis-me a vossos pés para vos trazer o meu agradecimento. Aceita-o junto com a promessa, que vos renovo, de viver sempre no amor de Jesus e do próximo. Continuai a mie prodigalizar vossa proteção e obtende-me a graça final de poder entrar um dia no céu para cantar convosco as divinas misericórdias. Assim seja. Amém!

 

GRASSI, Avelino. Trezena de Santo Antônio: compaixão e indignação – oitavo centenário de nascimento 1195-1995. Petrópolis: Vozes, 1995.

“Vale mais uma única alma santa com sua oração do que inúmeros pecadores empunhando suas armas: a oração do santo penetra os céus.” (Sto. Antônio de Pádua)

“O amor a Deus e ao próximo conduz o homem à perfeição.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Enquanto te diminuis, Deus cresce em ti.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Amontoar riqueza não passa de tribulação e dor.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Os raios da ira divina transformaram-se em chuva de misericórdia quando o Verbo se fez carne.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“O Filho saiu de Deus, para que tu saísses do mundo; veio para junto de ti, a fim de tu ires para junto d’Ele.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Devemos confiar só n’Aquele que nos fez, e não naquilo que fizemos.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“A inocência e a simplicidade são particularmente necessárias para quem reza.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“O hipócrita jejua para adquirir louvores; o avarento, para encher a bolsa; o justo, para agradar a Deus.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Há linguagem viva quando falam as obras. Estamos cheios de palavras, mas vazios de obras.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Só é vivenciada a luxúria da carne quando é domada a soberba do coração.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Quem é misericordioso com outrem, Deus será misericordioso com ele.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“A vida da árvore está na raiz: a vida do homem está na humildade.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“Enquanto se ama o pecado, não se tem esperança da glória futura.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

“A maneira mais prudente de vencer as tentações é desprezá-las.”

(Dos Sermões de Sto. Antônio de Pádua)

O Santo Casamenteiro

Assim, é invocado pelas moças que desejam casar e assim é lembrado pelo nosso folclore. Não se sabe qual a origem da devoção. Talvez se ligue a algum milagre feito pelo santo em favor das mulheres, por exemplo, quando fez um recém-nascido falar para defender a mãe acusada injustamente de infidelidade pelo pai.

Mas há outro episódio com explicação mais direta. Certa senhora, no desespero da miséria a que fora reduzida, decidiu valer-se da filha, prostituindo-a, para sair do atoleiro. Mas a jovem, bonita e decidida, não aceitou de forma alguma. Como a mãe não parasse de insistir, ela resolveu recorrer à ajuda de Santo Antônio. Rezava ela com grande confiança e muitas lágrimas diante da sua imagem quando das mãos do Santo caiu um bilhete que foi parar nas mãos da moça. Estava endereçado a um comerciante da cidade e dizia:

“Senhor N…, queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio.”

A jovem não duvidou e correu com o bilhete na mão à loja do comerciante. Este achou graça. Mas vendo a atitude modesta e digna da moça colocou o bilhete num dos pratos da balança e no outro deixou cair uma moedinha de prata. Mas qual! O bilhete pesava mais! Intrigado e sem entender o que se passava, o comerciante foi colocando mais uma moeda e outras mais, só conseguindo equilibrar o pratos da balança quando as moedas chegaram a somar 400 escudos. O episódio tornou-se logo conhecido e a moça começou a ser procurada por bons rapazes propondo-lhe casamento, o que não tardou a acontecer, e o casamento foi muito feliz. Daí por diante, as moças começaram a recorrer a Santo Antônio sempre que se tratava de casamento.

Extraído dos Cadernos Franciscanos, “Santo Antônio e a devoção Popular”, de Fr. Adelino Pilonetto, OFMCAP

O Santo das Coisas Perdidas

Esta tradição é antiquíssima, encontrando-se menção dela no famoso responsório “Si quaeris miracula”, extraído do ofício rimado de Juliano de Espira. Popularmente o “Siquaeris” é mencionado como uma oração taumaturga para encontrar objetos perdidos. A crença pode estar ligada a episódios como este, da vida de Santo Antônio.

Quando ensinava Teologia aos frades em Montpeilier, na França, um noviço fugiu da ordem levando consigo o Saltério de Frei Antônio, com preciosas anotações pessoais que utilizava nas suas lições. Rezou o santo pedindo a Deus para dar jeito de reaver o livro e foi atendido deste modo: Enquanto o fugitivo ia passando por uma ponte, foi subitamente tomado pelo pavor, parecendo-lhe ver o demônio na sua frente que o intimava: “Ou você devolve o Saltério ao Frei Antônio ou vou jogá-lo da ponte para o rio!” Assustado e arrependido, o jovem voltou ao convento com o saltério e confessou ao Santo sua culpa.

 

Extraído dos Cadernos Franciscanos, “Santo Antônio e a devoção Popular”, de Fr. Adelino Pilonetto, OFMCAP

O "Pão dos Pobres"

É ao mesmo tempo uma piedosa devoção e uma instituição assistencial benemérita. Consiste em doações para prover de pão os pobres, honrando assim o “protetor dos pobres” que é Santo Antônio. Uma tradição antiga liga esta obra ao episódio de uma mãe cujo filho se afogou dentro de um tanque mas recuperou a vida graças a Santo Antônio. Ela prometera que, se o filho recuperasse a vida, daria uma porção de trigou igual ao peso do menino. Por isso, no começo, esta obra foi conhecida como a obra do pondus pueri (peso do menino).

Outra tradição relaciona a obra do pão dos pobres com uma senhora de Tbulo, chamada Luísa Bouffier. A porta do seu armazém tinha enguiçado de tal modo que não havia outro remédio senão arrombar a porta. Fez então uma promessa ao Santo: se conseguisse abrir a porta sem arromba-la, doaria aos pobres uma quantia de pães. E deu certo. Daí por diante, as petições ao Santo foram se multiplicando em diferentes necessidades. Toda vez que alguém era atendido, oferecia certa quantia de dinheiro para o pão dos pobres. A pequena mercearia de Luísa Bouffier tornou-se uma espécie de oratório ou centro social. A benéfica obra do “pão dos pobres” teve extraordinário desenvolvimento, com diferentes modalidades, e hoje, é conhecida em toda parte.

 

Extraído dos Cadernos Franciscanos, “Santo Antônio e a devoção Popular”, de Fr. Adelino Pilonetto, OFMCAP

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